Belo Horizonte - Esqueça as bruxas do Halloween americano: em Minas Gerais, as assombrações são outras. De noivas mortas que assombram estradas, criaturas que misturam características de macaco, galinha e lagartixa e até supostos visitantes de outros planetas, a cultura mineira é de criatividade e mistérios.
Segundo Rafael Sette, que pesquisa a história da capital mineira e é responsável pelo projeto Caminhas BH, que promove roteiros temáticos, as lendas vão além das histórias de terror e ajudam a compreender os costumes, as desigualdades e os conflitos sociais da época em que surgiram.
“Eu acho que, muitas vezes, aquilo que a sociedade de uma época não consegue dizer acaba sendo colocado na boca das lendas e das assombrações. Isso acontece muito em Belo Horizonte. São histórias que revelam aquilo que, por algum motivo, não podia ser dito”, explica Sette.
Algumas lendas podem ter origem em acontecimentos reais, outras surgiram ou ganharam força por meio da literatura. É o caso da Loira do Bonfim, registrada pelo escritor Pedro Nava no livro Baú de Ossos, e da Moça Fantasma de Belo Horizonte, que inspirou um poema de Carlos Drummond de Andrade.
O Metrópoles conta aqui a história de 10 figuras lendárias que já tiraram - e ainda tiram - o sono de muita gente.
A Loira do Bonfim
Uma mulher loira, vestida de branco, embarca no último bonde da noite na Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, com destino ao Cemitério do Bonfim, na Região Noroeste.
