Antes de serem oferecidas aos deuses andinos, crianças incas recebiam drogas que provavelmente ajudavam a aliviar a ansiedade e amenizar o pavor do sacrifício humano. Agora, um novo estudo com múmias incas revela quais substâncias psicoativas, exatamente, eram usadas para preparar as vítimas para o ritual.
Exames toxicológicos detectaram cocaína em todas as amostras de cabelo, além de sinais de consumo de álcool em metade dos indivíduos. O estudo também identificou harmina - um composto psicoativo associado à ayahuasca, uma bebida utilizada em rituais espirituais - em uma das amostras de unhas.
O sacrifício humano ocupava um lugar central na religião inca. Os escolhidos para a cerimônia eram considerados embaixadores sagrados destinados a intermediar o contato entre os homens e as divindades. Eram recrutados, principalmente, crianças e adolescentes de ambos os sexos (geralmente entre 6 e 15 anos).
Esse ritual, conhecido como capacocha, era realizado com o objetivo de restaurar a estabilidade após períodos de crise no império Inca. Segundo um relato do frei espanhol Martín de Murúa, escrito em 1590, a cerimônia era realizada para garantir que não houvesse “nem fome, nem escassez dos frutos da terra, nem seca, nem pestilência, nem rebelião”.
Crianças eram selecionadas para o sacrifício com base em qualidades subjetivas como a beleza e a ausência do que os incas consideravam “defeitos” físicos.
