Nosso país acaba de superar uma de suas semanas mais difíceis em décadas. Tudo poderia ter sido muito pior, mas, mais uma vez, a temperança e coesão do nosso povo, assim como a rápida reação de nossas elites política e econômica, puderam conter o dano e gerar uma resposta que hoje surpreende a muitos na região.
Quando caiu o Ueno Bank, a reação inicial lógica foi o medo e a indignação, mas não havia tempo que perder. Em horas, o oficialismo e a oposição já estavam coordenando um pacote de novas leis para acelerar a devolução do dinheiro.
Ao mesmo tempo, já se começou a capturar os responsáveis pelo banco liquidado, que receberam o tratamento de réus comuns, algo incomum em outros países da América Latina, onde a maioria dos casos de descalabro financeiro costuma terminar em impunidade. Isso também ocorreu no Paraguai durante a grande crise dos anos 90.
Com a nova lei que exige o início da devolução do dinheiro aos poupadores em 24 horas e no prazo máximo de 5 dias, o Banco Central enfrentava um desafio que nenhum par sul-americano teve que enfrentar: garantir que, em poucos dias, 98% dos ex-clientes do banco liquidado recebessem seu dinheiro de volta, criar quase dois milhões de novas contas para realizar transferências e estabelecer uma base de dados para que três milhões de clientes possam consultar seus dados ou acompanhar seus pagamentos.
