Pablo Escobar tinha pouca paciência com juízes, policiais e políticos que lhe atravessassem o caminho. A cada um oferecia uma escolha simples: plata o plomo. Prata ou chumbo. O suborno ou a bala. Quem aceitava o primeiro poupava-se da segunda.
O Brasil aperfeiçoou o método, que agora o Estado adota. De acordo com matéria de Branca Nunes para Oeste, a oposição no Senado decidiu, na noite de 5 de novembro, suspender a divulgação dos votos já declarados a Rogério Marinho na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro. O motivo foi exposto sem rodeios por um senador ouvido pela revista: “Muitos estão com medo de retaliações por parte do STF.” Divulgar os nomes, acrescentou, seria colocar “um alvo nas costas desses parlamentares”.
Eis o chumbo. A prata entra pela outra porta. O mesmo senador relata que o governo teria posto cerca de 40 cargos em autarquias à disposição de Davi Alcolumbre, para distribuir em troca de apoio. O Planalto acena com a recompensa, a Corte sugere o castigo. A divisão de tarefas é a própria assinatura do regime luloalexandrino.
Nada disso é novo. Em 2019, quando o Senado decidiu abrir o voto para a escolha de seu presidente, Dias Toffoli derrubou a decisão por liminar, de madrugada. Desde então, a Casa aprendeu que um senador como Marcos do Val pode ter o gabinete vasculhado por ordem de Alexandre de Moraes, e que pedidos de impeachment de ministros adormecem na gaveta da presidência.
