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Brasil 07/11/2026 às 10:00

Henrique Zamith cita prazer e desafios ao viver Caetano Veloso nos palcos

Henrique Zamith cita prazer e desafios ao viver Caetano Veloso nos palcos

O ator Henrique Zamith recebeu com orgulho uma missão importante na carreira: dar vida ao cantor e compositor Caetano Veloso, de 84 anos, no musical Gil: Andar com Fé, que fala sobre a vida e a obra de Gilberto Gil. Em conversa com a coluna Fábia Oliveira, o artista falou dos desafios do espetáculo, que já está em cartaz em São Paulo.

Espetáculo

Em cartaz até o dia 29 de novembro no Teatro Santander, na capital paulista, o espetáculo é dirigido por Miguel Falabella e atravessa momentos como a Tropicália e a amizade de Gil com outros artistas, como, claro, o próprio Caetano Veloso.

Ao falar sobre o artista, aliás, Henrique Zamith não economizou nos elogios: “É uma pessoa extremamente sensível. Eu não imaginava o quanto ele era poético, filosófico e, ao mesmo tempo, extremamente inteligente social e politicamente”, disse.

O ator também não escondeu que esse é um dos projetos mais marcantes de sua vida. “Eu diria que é o maior trabalho do qual tive a oportunidade de participar até hoje”, resumiu.

Henrique Zamith começou a estudar teatro aos 9 anos, seguiu para a formação em Artes Cênicas e ampliou sua atuação para o cinema, a música e a dublagem. No audiovisual, participou de diferentes curtas e integrou o longa Silvio Santos Vem Aí, no papel de Dimitrius.

Para viver Caetano Veloso nos palcos, o ator viveu uma preparação intensa. “Meu primeiro trabalho foi entender como Caetano pensa. Queria compreender seus posicionamentos, suas paixões, seus medos, suas inseguranças e também suas esperanças”, contou. A ideia, segundo Henrique, não é imitar o artista, e sim homenageá-lo.

Como foi o processo até conquistar esse papel? Foram quantos testes, seletivas?

O processo começou com o envio de um vídeo cantando uma música do Gilberto Gil. A partir desse material, a banca selecionaria alguns atores para seguir para as fases presenciais. A primeira fase foi a apresentação de uma cena e de uma música. Na segunda, tivemos um teste de canto coral e de coreografia. A terceira fase foi mais afunilada: já trabalhamos com cenas do próprio Caetano Veloso ao lado do Gil e também apresentamos a canção London London para a banca.

Foi um processo longo e muito intenso,mas que de alguma forma passou voando. Depois de aproximadamente um mês da terceira fase, finalmente veio a resposta confirmando que eu tinha passado. Foi um momento de muita felicidade, porque é um projeto que eu me identifico muito.

Você disse que tentou “entender como Caetano pensa”. O que aprendeu sobre ele nesse processo?

Eu aprendi que o Caetano é uma pessoa extremamente sensível. Eu não imaginava o quanto ele era poético, filosófico e, ao mesmo tempo, extremamente inteligente social e politicamente. Ler o livro dele foi muito complexo nesse sentido, porque você entende as posições políticas e sociais dele, mas percebe que existe um universo inteiro por trás daquilo: referências da filosofia, da sociologia, pensadores, ideias. Existe uma rede de pensamentos muito grande por trás do que ele pensa e do que faz ele ser o Caetano.

Além de toda essa dimensão muito politizada, ele é uma pessoa que não esconde o que sente. O Gil, por exemplo, tem uma capacidade muito bonita de, mesmo diante de uma situação ruim, encontrar uma perspectiva positiva. O Caetano me parece diferente. Se ele está sentindo tristeza, ele vai sentir a tristeza. Se está sentindo ânimo, vai sentir o ânimo. Ele não tenta necessariamente transformar aquilo em outra coisa. E existe nele uma certa impulsividade quando algo é muito emocional.

Ao mesmo tempo, ele é extremamente racional. O que acontece emocionalmente com ele, ele tenta compreender racionalmente. Ele busca quase que de maneira exata entender por que está sentindo aquilo, por que está vivendo determinado momento. Essa espécie de sinapse entre emoção e razão me ajudou muito a compreender o comportamento dele diante das situações que aparecem na vida: a ditadura, os términos, os acontecimentos importantes, as perdas e as transformações.

Você tem um longa carreira nas artes, mas o que este papel significa para sua vida profissional?

Esse papel, com certeza, é um marco muito grande na minha carreira. Principalmente pela responsabilidade de interpretar uma figura como Caetano Veloso no palco, dentro de um projeto que tem uma dimensão tão grande. Eu diria que é o maior trabalho do qual tive a oportunidade de participar até hoje.

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