A direita tem que aprender rapidamente com seus erros. E calma, nem estou falando de eleições. Estou falando de preparo intelectual.
Quem me conhece sabe que não sou lá tão fã do intelectualismo, isto é, da percepção de que a realidade só é corretamente explorada por meio da ciência e da reflexão sistemática. Quem já teve a graça de conversar com velhos sabe que muitas coisas, mas muitas mesmo, não são apreendidas em livros e tubos de ensaio.
No entanto, não é mentira que a busca por aprofundamento intelectual capacita o homem para o enfrentamento no mundo atual. Um homem sincero, que busca a verdade dos fatos, sabe que o sistema econômico de Marx, baseado no valor-trabalho, foi engolido e desmanchado por Böhm-Bawerk com sua explicação sobre a preferência temporal, que depois foi especialmente aprofundada e expandida com a ideia de ação humana de Ludwig von Mises. Se um debatedor conservador desconhece esses pontos, acabará parecendo um tolo agarrado a chavões e slogans diante de um marxista treinado na exegese acadêmica de O capital, mesmo que este esteja comprovadamente errado nos fatos econômicos.
Ainda que ache maravilhoso que todo e qualquer ser humano, em especial os inclinados ao conservadorismo, estude os livros de Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Russell Kirk e Roger Scruton, sei que isso é utopia. Nem todos querem, têm tempo para isso ou simplesmente interesse em se aprofundar no estudo dedicado aos pais do pensamento conservador. E, sinceramente, ok.
