A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos deve impor novos obstáculos à política externa do presidente Donald Trump. Com a retomada do controle da Câmara dos Representantes e do Senado, os democratas passam a ter instrumentos para fiscalizar decisões da Casa Branca, questionar operações militares e interferir na aprovação de recursos destinados a conflitos.
A mudança, que será efetivada em janeiro de 2027, inaugura um cenário de governo dividido no segundo mandato de Trump. O presidente continuará responsável pela condução da política externa e pelo comando das Forças Armadas, porém terá de lidar com um Congresso controlado pela oposição, menos disposto a respaldar sua administração.
Entre os principais pontos de tensão, estão a guerra contra o Irã, o apoio militar a Israel e à Ucrânia, e a política de pressão sobre países da América Latina.
A extensão dos efeitos da mudança, entretanto, dependerá da disposição dos democratas de utilizar as prerrogativas parlamentares. Embora a nova maioria possa dificultar a execução de parte da agenda internacional de Trump, ela não tem poderes para substituir automaticamente as decisões do Executivo.
Ao Metrópoles, Leo Braga, professor do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, ressalta que a principal transformação será a negociação entre os Poderes.
“Não significa dizer que os democratas terão uma vida muito mais fácil em relação a isso, não”, afirma.
