Um levantamento de 2025 do World Bank Group indica que o Paraguai conta com uma população de 7.013.078 habitantes. Desse total, cerca de 270 mil são brasileiros, segundo dados do Senado Federal. Esse expressivo contingente,somado às 232 empresas nacionais que se instalaram no país vizinho via Lei de Maquila desde 2007, compõe uma rede brasileira diretamente exposta aos impactos da recente crise do Ueno Bank.
Um dos principais motores dessa migração é a busca pelo ensino superior, sobretudo em cursos de alto custo no mercado brasileiro. Uma reportagem do jornal ABC Color, de outubro de 2025, revelou que, dos 45.872 estudantes de Medicina no Paraguai, 35.273 são brasileiros (76,9% do corpo discente nacional na área). Essa presença se adensa na região de fronteira: mais de 33,5% desse grupo (15.389 alunos) estão concentrados no departamento de Alto Paraná.
O grande atrativo reside no custo-benefício. No Paraguai, o valor médio da mensalidade de medicina gira em torno de 3 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 2.645,00). O valor é muito mais barato do que a média de 9.500,00 a R$ 11.500,00 por mês no Brasil.
Essa injeção constante de alunos estrangeiros movimenta cerca de US$ 20 milhões mensais à economia local com mensalidades, moradia, alimentação, transporte e serviços. Após a formatura, a grande maioria regressa ao Brasil para prestar o Revalida, etapa indispensável para obter o registro profissional e exercer a medicina no país natal.
