A liberação do processo de impeachment de Santiago Peña e a consequente posse de Pedro Alliana como novo chefe do executivo paraguaio geram mais instabilidade do que normalização da crise no país. A avaliação é de Flávia Loss de Araujo, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá ao Hora H.
A especialista reforçou que a velocidade dos acontecimentos, vista sob a perspectiva brasileira, é excessiva.
“Esse impeachment tão rápido, esse pedido de prisão tão rápido, também não passam confiança”, afirmou, classificando o momento como uma profunda crise de confiança no Paraguai.
Segundo Flávia, a crise no Paraguai tem natureza tanto econômica quanto política.
“Trata-se de uma crise econômica, porque envolve um dos maiores bancos do Paraguai, mas também política, principalmente política, porque atingiu o chefe do executivo, Santiago Peña”, afirmou a especialista. Ela explicou que Peña era, até o ano passado, sócio de um dos grupos proprietários do Ueno Bank.
Escândalo envolve uso de fundos públicos
As autoridades paraguaias estão investigando a extensão das ligações de Santiago Peña com a instituição financeira.
De acordo com Flávia Loss de Araujo, o ponto central do escândalo é que o banco recebia fundos públicos e os repassava aos grupos proprietários e às empresas que o comandavam.
A professora também destacou que houve falhas nas agências de regulação e que o Banco Central paraguaio demorou a tomar providências.
