Antes de aprender a falar para milhões de pessoas, ele conheceu a sensação de não ter o que comer. Filho de uma empregada doméstica, perdeu o pai aos dez meses de vida. Andava seis quilômetros para estudar. Trabalhou como cobrador de ônibus para pagar a faculdade de Direito. Acordava às quatro da manhã e atravessava a jornada sem comer. A fome passou, mas deixou marcas.
Talvez isso ajude a entender a urgência de André Janones. A disposição de brigar, de incomodar, de falar alto quando acha que ninguém está ouvindo. Antes das redes sociais, ele já fazia barulho para conseguir atendimento para quem esperava por uma cirurgia. Descobriu ali que uma voz podia abrir uma porta que continuava fechada para muita gente.
Na minha avaliação, Janones é o político mais importante que surgiu no Brasil nos últimos oito anos, desde o advento do bolsonarismo. E a eleição de 2026 ajuda a explicar por quê. Não à toa, já em 2022, escrevi sobre a importância que ele tinha para a esquerda, inclusive com o título “Por que Janones é tão importante para Lula”, explicando que ele conseguia furar a bolha do PT e chegar a eleitores com quem o partido tinha dificuldade de conversar.
Quando a campanha de Lula esperava uma vitória tranquila, ele avisava que aquela seria uma disputa duríssima. Antecipou o risco de Flávio Bolsonaro sair na frente. Depois, quando muitos enxergavam uma derrota quase certa, apostou na virada e trabalhou para construí-la.
