Um líder de seita queniano foi condenado a 200 anos de prisão pelo assassinato de 191 pessoas, das quais apenas uma não era criança, em uma campanha de abusos e jejuns forçados.
Paul Mackenzie, fundador da Igreja Internacional das Boas Novas (Good News International Church), recebeu a sentença nesta sexta-feira (6), ao lado de mais de duas dezenas de outras pessoas, no Tribunal Superior de Mombaça.
A sentença de Mackenzie foi dividida em 100 anos de prisão pelos assassinatos de pessoas que morreram de fome e outros 100 anos pelas mortes provocadas diretamente por homicídio.
Ele havia convencido seus seguidores a abandonar suas casas e se mudar para a Floresta de Shakahola, no leste do Quênia, prometendo que o jejum no local os aproximaria de Deus e os prepararia para o céu.
O tribunal concluiu que ensinamentos religiosos foram usados para impor o jejum. Guardas controlavam os movimentos dos seguidores e os impediam de sair. Aqueles que resistiam eram obrigados a obedecer, enquanto as crianças eram imobilizadas, privadas de comida e punidas quando tentavam comer ou fugir.
Os ensinamentos de Mackenzie eram em grande parte baseados em crenças apocalípticas e sobre o fim dos tempos, segundo um relatório do Senado do Quênia sobre as mortes. Ele pregava que o mundo acabaria em agosto de 2023, e os seguidores eram instruídos a jejuar para “encontrar Jesus”. As crianças deveriam morrer primeiro, seguidas pelos jovens e pelas mulheres.
