No último dia 31 de outubro, enquanto boa parte da cultura contemporânea se rendia à estética importada e vazia do halloween, cristãos e estudiosos da liberdade ao redor do mundo celebravam um marco que forjou os alicerces da civilização ocidental: os 509 anos da Reforma Protestante.
Mais do que uma efeméride restrita aos calendários eclesiásticos, o gesto do monge agostiniano e professor universitário Martinho Lutero, ao afixar suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 1517, provocou um terremoto espiritual, político e jurídico cujos frutos desfrutamos até hoje, muitas vezes sem conhecer a sua origem.
Para compreender o alcance civilizatório da Reforma, é preciso voltar ao teor daquelas proposições que desafiaram o absolutismo religioso e político do século 16.
Contra a mercantilização da fé e a venda de indulgências, Lutero abriu o documento com a Tese 1, estabelecendo que a fé é uma transformação contínua da consciência: “Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: ‘Arrependei-vos…’ (Mt 4:17), certamente quer que toda a vida dos fiéis seja de arrependimento”.
Na Tese 27, denunciou com acidez o abuso espiritual sobre o povo: “Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilinta a moeda lançada na caixa, a alma sai voando [do purgatório]”.
E, na célebre Tese 62, cravou o centro da autoridade cristã: “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”.
