A edição 14 do boletim Notícias FAPESP, publicação mensal que deu origem ao que hoje é Pesquisa FAPESP, noticiou, em novembro de 1996, um projeto para melhorar a indexação e a distribuição do que era produzido pela ciência brasileira. Na mesa de um almoço em Caxambu (MG), onde acontecia um evento de editores científicos, nasceu a ideia do Scientific Electronic Library Online (Scielo).
Quem relembra o momento é Abel L. Packer, diretor do programa Scielo e coordenador de projetos da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (FapUnifesp). Há 30 anos, ele, que era especialista em informática de bibliotecas do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), e o bioquímico Rogério Meneghini, então assessor científico da FAPESP, tratavam do futuro da produção científica brasileira.
Meneghini preocupava-se com o fator de impacto (FI, métrica que mede a média de citações recebidas pelos artigos de um periódico) em publicações nacionais, enquanto Packer queria modernizar a distribuição. “Havia poucos recursos para impressão, e a distribuição era cara. Então, o número de cópias de periódicos era mínimo”, recorda Packer.
Naquele tempo, um pesquisador estrangeiro que quisesse acessar periódicos brasileiros tinha de pedir a bibliotecários de uma universidade que preenchessem formulários contendo o assunto buscado. Os papéis iam de avião até o Bireme, em São Paulo, que retornava a lista de artigos disponíveis.
