A indústria brasileira de carne bovina discute a possibilidade de negociar uma cota própria de exportação para os Estados Unidos, com volume entre 100 mil e 200 mil toneladas por ano. A ideia, mencionada nos bastidores da 65ª Conferência Anual do MICA (Meat Import Council of America), realizada nesta semana no Arizona, busca dar maior previsibilidade ao acesso brasileiro ao mercado americano.
A possibilidade ainda não representa uma proposta oficial apresentada ao governo dos Estados Unidos nem uma negociação formal em andamento. É uma alternativa discutida pelo setor em um momento de mudanças no comércio bilateral e de necessidade americana de ampliar as fontes de abastecimento.
Durante sua participação em um painel sobre política comercial, na quarta-feira (4), o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, reforçou a importância da relação entre os dois países.
A avaliação apresentada pelo dirigente é que, apesar das tensões tarifárias no último ano, Brasil e Estados Unidos mantiveram uma relação comercial relevante e têm condições de ampliar essa parceria.
Um dos argumentos é justamente a possibilidade da carne brasileira atender a necessidades específicas da indústria americana, especialmente no fornecimento de cortes magros utilizados na fabricação de carne moída e hambúrgueres.
Atualmente, o Brasil não possui uma cota individual de importação de carne bovina nos Estados Unidos.
