O promotor público Celso Magalhães era patrono do Ministério público do Maranhão
Acervo
“O Crime da Baronesa de Grajaú”, que ganhou uma nova página em 2026, levou 148 anos para que a Justiça anulasse a demissão abusiva de um promotor de justiça do Maranhão.
É que, em 1876, doze anos antes da assinatura da Lei Áurea, Anna Rosa Viana Ribeiro comprou dois irmãos escravizados, que tinham entre 5 e 9 anos, para dar de presente aos seus filhos.
Segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Anna era uma mulher branca, da alta sociedade maranhense, conhecida pelos métodos cruéis no tratamento de pessoas escravizadas.
E, pouco tempo depois de comprar as duas crianças escravizadas, elas morreram, em circunstâncias suspeitas, na casa da família, em São Luís, então capital da Província do Maranhão.
Foto de 2004 mostra o sobrado do Barão de Grajaú, onde as duas crianças foram mortas
Merval Filho
Jacinto, o mais novo, nunca teve sua morte investigada. Já na morte do segundo menino, Inocêncio, a mãe das crianças, que se chamava Geminiana e tinha acabado de comprar sua liberdade, exigiu que o caixão fosse aberto.
Geminiana encontrou o cortejo fúnebre por acaso, nas ruas de São Luís, sem saber que o corpo era do seu filho. Ao descobrir que o caixão, que estava fechado com cadeado, havia saído da casa de Anna Rosa, seguiu até o cemitério e confirmou que o corpo era de Inocêncio.
‘O crime da Baronesa de Grajaú’: entenda por que demissão de promotor público foi anulada depois de 148 anos
