Tem sido assim desde que o partido foi criado: entra eleição e sai eleição, ganhe ou perca o Partido dos Trabalhadores (PT), e seus críticos mais duros cobram da legenda a conversão à autocrítica. Exigem que ela seja feita em público para que, só assim, o partido possa ser perdoado por seus muitos erros, sendo cobrado mais tarde caso os repita. Igual tratamento, contudo, não se aplica às demais agremiações. Por que será?
Ora, responderão alguns: porque desde a redemocratização do país, com a posse do presidente José Sarney em 15 de março de 1985, se passaram exatamente 41 anos, 7 meses e 22 dias até a data de hoje. Desse total, o PT governou o Brasil por 16 anos, 10 meses e 5 dias. Já o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) governou por 8 anos, enquanto o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ocupou a liderança recentemente por pouco mais de dois anos com Michel Temer.
Embora o ato individual de avaliar as próprias ações exista desde a filosofia antiga, a transformação da autocrítica em uma ferramenta política coletiva e institucional ocorreu de forma bastante específica na história. O termo e a prática ganharam força logo após a Revolução Russa de 1917, consolidando-se como doutrina partidária oficial entre 1921 e 1924, por obra e graça do ditador Joseph Stalin.
Lavar roupa suja em público não é algo que se peça a um partido político, a não ser que o objetivo seja, de fato, enfraquecê-lo, algo de que, naturalmente, se aproveitariam seus adversários.
