O avanço dos eventos climáticos extremos exige mudanças na forma como o Brasil planeja e investe em saneamento. Além da construção de novas estruturas, o setor precisa ampliar o monitoramento, desenvolver planos de contingência e preparar as cidades para situações que ainda não foram enfrentadas.
O tema foi discutido nesta quinta-feira (5), durante o CNN Talks - A Economia da Transição.
Para Ana Paula Fioreze, diretora da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), a segurança hídrica é um elemento central das políticas de adaptação climática.
Segundo ela, a alternância entre secas e enchentes mais intensas e frequentes exige uma nova abordagem na gestão dos recursos hídricos, baseada na avaliação de riscos e na capacidade de rever estratégias diante de cenários incertos.
“A engenharia não vai responder tudo. A infraestrutura vai responder uma parte, mas há um limite”, afirmou.
Para a diretora, é necessário combinar obras de infraestrutura com soluções ambientais, governança e monitoramento contínuo. Ela também defendeu que o planejamento considere problemas que ainda não existem e que a informação chegue à população para orientar a reação diante de situações extremas.
Nesse sentido, o vice-presidente da Aegea, Renato Medicis, afirmou que as concessionárias de saneamento precisam antecipar investimentos e estruturar planos de contingência para evitar interrupções no fornecimento durante períodos de seca ou enchentes.
