A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, abre um período de atenção para o agronegócio e para os investidores estrangeiros que encontraram no país um ambiente favorável à expansão dos negócios. Embora as lideranças do setor não identifiquem, neste primeiro momento, impactos diretos sobre a produção agrícola, os contratos ou as operações das empresas, a crise envolvendo o sistema financeiro paraguaio e seus desdobramentos políticos colocam em discussão a capacidade do país de preservar a estabilidade econômica e a confiança do mercado.
A avaliação predominante entre representantes do agronegócio é de que a mudança no comando do Executivo não deve provocar alterações significativas na condução da economia. Isso porque a sucessão ocorre dentro do mesmo grupo político, com a expectativa de que o vice-presidente assuma o governo e mantenha as principais diretrizes adotadas pela administração Peña. Ainda assim, o episódio exige acompanhamento, principalmente pelos possíveis efeitos indiretos sobre a oferta de crédito, o comportamento do câmbio e a disposição de investidores brasileiros em ampliar seus negócios no território paraguaio.
O episódio tem como pano de fundo uma crise no sistema bancário, que colocou sob questionamento decisões relacionadas à concessão de benefícios a uma instituição financeira.
