Belo Horizonte - Onze anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ainda identificam alterações na biodiversidade aquática da bacia do Rio Doce e do litoral capixaba. Entre os resultados do monitoramento estão peixes com tumores, deformidades externas, larvas com anomalias e ovos inviáveis.
O desastre, ocorrido em 5 de novembro de 2015, lançou aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no meio ambiente, atingindo o Rio Doce e chegando ao litoral do Espírito Santo. Desde então, pesquisadores acompanham os impactos sobre a fauna e a qualidade ambiental da região.
Além das alterações biológicas, análises realizadas em algumas amostras identificaram concentrações de metais pesados acima dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um dos casos foi registrado em um linguado, no qual a concentração de chumbo chegou a 0,726 miligrama por quilo, acima do limite de 0,30 mg/kg.
A presença desses contaminantes e as alterações encontradas nos animais reacendem questionamentos sobre a recuperação do ecossistema e a segurança do pescado consumido pelas comunidades que vivem da pesca.
