Uma transformação de partículas tão rara que ocorre apenas uma vez em cada 10 bilhões de casos aproximou os cientistas da investigação do zeptoverso, nome dado a uma escala da natureza muito menor que um átomo. Uma equipe liderada pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, encontrou evidências do processo após uma busca que começou há mais de quatro décadas.
O resultado foi divulgado em três de novembro e vem do LHCb, um dos experimentos do Grande Colisor de Hádrons, conhecido pela sigla LHC. Instalado no CERN, próximo a Genebra, o equipamento produz colisões de alta energia que permitem estudar os componentes da matéria.
O avanço oferece uma maneira de procurar sinais de partículas ainda desconhecidas. Elas poderiam ajudar a responder perguntas sobre a matéria escura e sobre como a matéria surgiu durante o Big Bang.
O que é o zeptoverso
O termo se refere ao mundo das distâncias medidas em zeptômetros. Um zeptômetro corresponde a um trilionésimo de um bilionésimo de metro, ou 0,000000000000000000001 metro. Trata-se de uma escala de tamanho, e não de um universo separado.
Segundo o comunicado de Cambridge, o LHC consegue investigar diretamente distâncias de cerca de 100 zeptômetros. Os pesquisadores, porém, querem explorar escalas ainda menores, nas quais poderiam existir partículas que os instrumentos atuais não conseguem detectar diretamente.
Para avançar, a equipe observa como partículas conhecidas se transformam. A ideia é identificar possíveis efeitos de partículas desconhecidas sobre processos que já podem ser medidos, como a frequência de determinada transformação.
Uma transformação em cada 10 bilhões
O trabalho se concentrou em partículas que contêm um quark do tipo beauty. Os quarks são componentes da matéria, e os do tipo beauty são parentes dos quarks que formam a matéria dos átomos.
