O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta (5) sua renúncia ao cargo, após a pressão política provocada por uma crise no sistema bancário do país. Ele enfrentava um processo de impeachment que havia conquistado apoio de partidos da oposição e também de integrantes de sua própria base.
Em pronunciamento divulgado no Instagram, Peña afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade nacional e evitar novos conflitos políticos. O presidente também pediu desculpas à população e disse que a situação dos paraguaios que mantêm dinheiro no sistema financeiro se tornou sua principal preocupação. O vice, Pedro Alliana, deve assumir o cargo.
“Tenho a convicção de que nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, declarou. Ao justificar a saída, afirmou que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai e manifestou o desejo de que os recursos dos clientes sejam devolvidos e os fundos públicos protegidos.
A crise ganhou força após o banco digital Ueno fechar as portas, deixando milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña, que também é economista, foi acionista do grupo controlador da instituição até março do ano passado. O banco reunia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, entre eles recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.
