Em 1992, 12 contêineres carregando brinquedos da empresa americana The First Years caíram na metade do trajeto da fábrica chinesa até a costa dos Estados Unidos. A carga - 28.800 bichinhos de plástico, entre patinhos amarelos, tartarugas azuis, castores vermelhos e sapos verdes - soltou-se e começou a flutuar na superfície do Oceano Pacífico.
Não demorou para os brinquedos começarem a aparecer em praias do mundo todo, primeiro no Alasca e, depois, da América do Sul até a Indonésia e a Escócia. A história tinha tudo para terminar ali, como apenas um dos vários exemplos da poluição marítima causada por acidentes com navios cargueiros. Só em 2025, o World Shipping Council estima que 1.478 contêineres tenham caído no mar.
Mas uma dupla de cientistas decidiu transformar o acidente em uma oportunidade para avançar seus estudos em oceanografia. A composição dos brinquedos, feitos para flutuar na água da banheira enquanto bebês e crianças tomam banho, os fazia flutuar em vez de afundar para o leito do mar. Portanto, acompanhar sua dispersão por todos os oceanos era muito mais fácil do que com outros objetos.
“Flotsametria”: o estudo das coisas que flutuam
O oceanógrafo americano Curtis Ebbesmeyer especializou-se na pesquisa de objetos chamados de “flotsam”: destroços flutuantes que se dispersam com as correntes marítimas.
