A Câmara do Paraguai deve votar nesta quinta (5) um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Ele é acusado de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos, no caso do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso às contas bancárias.
Se for aprovado na Câmara, o processo será encaminhado ao Senado e pode ser votado rapidamente.
O Senado do Paraguai condenou, em junho de 2012, o então presidente do país, Fernando Lugo, em um processo de impeachment considerado “relâmpago”: em menos de 36 horas, foi instaurado e concluído o processo de afastamento.
Uma das principais bandeiras do governo do socialista era a reforma agrária. Com dificuldades para colocar a proposta em ação, o Parlamento paraguaio o considerou culpado por “mau desempenho” de suas funções.
Lugo, um ex-bispo católico, não era popular entre os legisladores, e muitos questionavam sua credibilidade depois que ele admitiu ter tido pelo menos dois filhos enquanto ainda exercia o sacerdócio. Ao todo, quatro mulheres afirmam ter tido filhos com Lugo durante o período em que ele era bispo.
Já havia, antes de 2012, pedidos de impeachment contra Lugo, mas os escândalos não foram suficientes para derrubá-lo.
A situação mudou em 15 de junho daquele ano, quando a polícia entrou em confronto com camponeses sem-terra no leste do Paraguai, resultando em 17 mortes.
