As importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados, como ureia e sulfato de amônio, estão cerca de 25% atrasadas em relação ao ritmo do ano passado e não devem recuperar o volume até o fim de 2026, segundo o Rabobank. O cenário pode dificultar o acesso ao insumo para culturas que demandam adubação nos próximos meses, como a segunda safra de milho e áreas de renovação de cana-de-açúcar.
“Eu não acredito que a gente vai conseguir tirar esse atraso até o final do ano”, afirmou Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, durante coletiva de imprensa.
O analista avalia que, na ausência de novos conflitos ou de uma escalada das tensões atuais, as importações devem apresentar alguma recuperação. Ainda assim, a combinação entre custos de produção elevados e demanda deve influenciar a formação dos preços nos próximos meses.
Fonseca citou a alta do gás natural na Europa, cujo preço de referência TTF chegou a se aproximar de US$ 100 por megawatt-hora na semana passada, contra níveis na casa dos US$ 30 anteriormente. Como o gás é um dos principais componentes do custo de produção de nitrogenados, a alta tende a pressionar os preços dos produtos importados pelo Brasil.
Pelo lado do consumo, o avanço do plantio da soja pode estimular os produtores a retomar as compras de nitrogenados para a safrinha de milho.
