Os conhecimentos tradicionais de bordadeiras e bordadeiros do grupo Unidos de Santa Fé, que participa da festividade do bumba meu boi, em São Luís, são mais do que arte: são expressões tecnológicas da comunidade. É o que defende Marcela Fernandes, pesquisadora em arte e música e doutoranda em Mídia e Tecnologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru, em artigo publicado no livro A arte na contemporaneidade (Ria Editorial, 2024). Para Fernandes, maranhense que cresceu em contato com a cultura do bumba meu boi, o conceito de tecnologia não deve se limitar às inovações industriais e digitais de empresas do Vale do Silício (EUA). Ele abrange também os saberes envolvidos na produção cultural, econômica e histórica das populações. A pesquisadora recorre a dois conceitos do filósofo chinês Yuk Hui: o de cosmotécnica, segundo o qual cada técnica expressa a visão de mundo e os valores da cultura que a produz, e o de tecnodiversidade, a ideia de que não existe um único modelo universal de tecnologia. Assim, avalia Fernandes, o bordado, o canto, a dança e a costura tradicionais da festividade maranhense são tecnologias ancestrais que preservam conhecimentos, movimentam a economia criativa e estruturam o ciclo anual do boi. Os desenhos dos bordados representam colheita, religião, flores e o nome da comunidade. Na foto da pesquisadora, de 2025, um integrante do Unidos de Santa Fé carrega artefato exibido no evento.
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