A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano, anunciada nesta quarta-feira, 4, não surpreendeu o mercado, reforçou uma posição cautelosa da autoridade monetária, mas deixou uma “porta aberta” para a eventual retomada da flexibilização dos juros.
A avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem de Oeste logo depois da decisão do BC de não mexer nos juros básicos da economia. A Selic segue no menor nível em um ano e oito meses, desde março de 2025. Mesmo assim, o Brasil continua com a taxa de juro real (que desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses) mais elevada do mundo, à frente de países como Rússia, Colômbia, Turquia, México, África do Sul e Argentina.
O ciclo de queda da Selic, interrompido nesta quarta-feira, começou em março deste ano, sempre com cortes de 0,25 ponto porcentual a cada reunião. Naquela ocasião, o Copom promoveu o primeiro corte de juros desde 2024.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
