O alto custo do gás natural no Brasil é um dos principais obstáculos para o país avançar na industrialização do minério de ferro e ampliar a produção de materiais de maior valor agregado.
A avaliação é de José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações e ex-diretor da Vale.
Em entrevista ao Mapa da Mina, programa de mineração da CNN, o executivo afirmou que os preços da energia no mercado brasileiro dificultam investimentos em processos industriais como a pelotização e, principalmente, a redução direta do minério de ferro, tecnologia utilizada na produção de ferro metálico destinado à fabricação de aço.
Martins relembrou que, durante sua passagem pela Vale, a companhia optou por construir uma unidade de pelotização em Omã, no Oriente Médio, em vez de instalar a estrutura no Brasil, em razão da diferença no custo do gás natural.
Segundo o executivo, na época da decisão, o combustível custava cerca de US$ 1,50 por milhão de BTUs no país árabe, enquanto no Brasil o preço chegava a US$ 12 pela mesma quantidade de energia.
“Em uma atividade que é intensa em energia, você precisa ter os insumos a um preço competitivo em termos internacionais”, afirmou.
A Vale iniciou a produção de pelotas em Omã em 2011. O complexo industrial, localizado na cidade de Sohar, possui capacidade instalada de 9 milhões de toneladas anuais de pelotas de minério de ferro.
