O Banco Central evitou ceder a pressões e buscou um ponto “no meio do caminho” ao manter a Selic intocada, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.
Ao mesmo tempo que reforçou sua independência ao não seguir apelos do governo e aliados por corte de juros, o Copom (Comitê de Política Monetária) subiu a régua contra expectativas de elevação das taxas.
“Está tentando ‘colocar a bola no chão’ dizendo: ‘olha, mercado, você está prevendo Selic de 15,5% na curva de juros no futuro. O cenário não é nem tanto para lá e nem tanto para cortar'”, pondera Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco.
Honorato acredita que o BC poderia considerar um corte de juros nessa reunião, não fosse pelas discussões dos últimos dias.
A tensão entre governo e mercado se acentuou quando começaram a circular rumores de que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniria com André Lara Resende, um dos “pais” do Plano Real. Posteriormente, a organização de um encontro foi negada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A tese mais aceita no mercado e entre economistas ortodoxos é de que os juros vão se manter elevados à medida que a dívida pública continuar subindo. Nesse sentido, vem a cobrança dos agentes econômicos por uma política de ajuste fiscal crível por parte do governo.
