A derrota nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as midterms, deve dificultar a agenda interna do presidente Donald Trump e abrir espaço para uma atuação mais concentrada na política externa.
Com o avanço dos democratas no Congresso, o republicano tende a enfrentar obstáculos para aprovar projetos e financiar iniciativas do governo, cenário que pode incentivá-lo a buscar protagonismo em negociações internacionais e operações militares, já que o presidente tem maior autonomia para atuar em questões externas.
A mudança de foco, contudo, não significa necessariamente uma estratégia de fortalecimento. Para o cientista político Gustavo Menon, a movimentação pode representar uma tentativa de contornar o desgaste interno, em vez de uma resposta às urnas.
“Trata-se da lógica conhecida do presidente que perde a maioria no Congresso: quando o Legislativo trava a agenda interna, o Executivo se volta para a arena em que depende menos dos parlamentares. O ponto crítico é que o eleitorado puniu justamente a política externa”, avalia.
A insatisfação com a economia e a política externa esteve entre os fatores que pesaram contra os republicanos. Pesquisa da NORC em parceria com o The Washington Post, com mais de 90 mil eleitores, mostrou que mais da metade dos entrevistados considerava a economia e o emprego alguns dos principais problemas do país. Nesse grupo, os democratas tiveram vantagem de 15 pontos percentuais na disputa pela Câmara.
