A economia brasileira conseguiu se manter até o momento porque o mundo vivia um período de leniência fiscal, mas essa realidade estaria mudando.
Em entrevista ao WW, Jeferson Bittencourt, economista da gestora ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, comentou a decisão desta quarta-feira (4) do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Segundo Bittencourt, o cenário fiscal brasileiro é preocupante e os efeitos do desequilíbrio nas contas públicas tendem a se agravar de forma exponencial, e não linear, a partir de determinado nível de endividamento.
O economista destacou que o país registrou um grande déficit no primeiro ano do mandato atual, seguido de um déficit estável em torno de 0,5% ao longo de todo o período, combinado com uma taxa de juros elevada.
De acordo com o especialista, a capacidade do Brasil de honrar seus compromissos financeiros não suportaria um novo crescimento de mesma magnitude no próximo mandato. “Os efeitos disso não serão lineares, mas vão piorar exponencialmente a partir de determinado nível”, alertou.
Mudança no cenário global
Bittencourt ressaltou que o ambiente internacional, que até então era tolerante com desequilíbrios fiscais, está passando por uma transformação significativa.
“Só conseguimos chegar até aqui porque o mundo vivia um período de leniência fiscal”, disse ele, acrescentando que os países avançados estão começando a rever suas posturas em relação ao tema.
