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Brasil 05/11/2026 às 02:12

Mulheres com câncer de mama denunciam demora para iniciar tratamento no DF

Mulheres com câncer de mama denunciam demora para iniciar tratamento no DF

“A sensação que me rodeia hoje é de morte o tempo todo. Cada dia que passo perco um dia de vida”. O relato é de uma professora de 37 anos que foi diagnosticada com câncer de mama em julho deste ano e, desde então, enfrenta um longo caminho sem conseguir iniciar o tratamento oncológico na rede pública de saúde do Distrito Federal.

Ao Metrópoles, a mulher, que preferiu não ser identificada, contou que recebeu o diagnóstico de câncer invasivo em 28 de julho, durante uma consulta com um mastologista. Os exames apontaram um tumorde alto grau (G3) e com índice de proliferação celular de 70%.

Ela teve como porta de entrada o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) e, após a regulação, seria encaminhada para o Hospital de Base, Hospital Regional de Taguatinga ou Hospital Universitário de Brasília para iniciar o tratamento.

“Foi solicitado todos os exames de estadiamento para quando a consulta oncológica acontecesse nós já estarmos com os exames em mãos e segui para a quimioterapia, que segundo a mastologista teria que ser neoadjuvante pelo tamanho do tumor e também por já apresentar metástase nas axilas”, disse.

A mulher conta que, desde a primeira consulta com a mastologista, havia uma preocupação com a possibilidade de rompimento da mama devido ao tamanho do tumor, o que acabou acontecendo poucos dias depois.

“Poucos dias depois da consulta o rompimento aconteceu e passei a peregrinar por hospitais buscando uma consulta para uma orientação do que fazer […] Estou com a mama exposta. Sinto o avanço do tumor pelo tamanho, e ao menos estou tendo a chance de ter acesso ao tratamento para lutar. Cada dia que passo perco um dia de vida”, relatou.

Desde 1º de setembro, a professora aguarda uma consulta com oncologista pela rede pública do DF, mesmo com o pedido classificado como prioridade 1.

Além de toda a situação, ela também enfrenta dificuldades ao buscar ajuda nos prontos-socorros. Segundo a paciente, como ainda não iniciou o tratamento oncológico, recebe a orientação de que precisa “esperar a regulação e ficar fazendo curativos em casa”.

A professora conta que procurou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do DF (DPDF), já que o prazo previsto em lei para o início do tratamento após o diagnóstico foi ultrapassado.

Segundo ela, após o pedido, o MPDFT abriu um procedimento e encaminhou o caso à Defensoria Pública para avaliar medidas jurídicas que garantam o atendimento. O órgão também cobrou informações do HMIB sobre a assistência prestada e a possível necessidade de internação.

A Lei nº 12.732 de 2012, conhecida como Lei dos 60 dias, estabelece que pacientes com câncer devem iniciar o primeiro tratamento pelo SUS em até 60 dias após a confirmação do diagnóstico, ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica registrada no prontuário médico.

Em nota ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) informou que a paciente está “regulada para consulta com oncologista, com previsão de agendamento ainda para este ano”.

Outra paciente enfrenta a mesma situação

A publicitária Manuella Abrantes de Oliveira, de 40 anos, também passa por uma situação semelhante. A suspeita de que algo estava errado começou no fim de agosto deste ano, quando, durante o banho, sentiu um nódulo na mama direita e não imaginou que pudesse ser algo sério.

“Como estava fazendo musculação, pensei que talvez fosse alguma alteração relacionada aos exercícios. Por isso, acabei deixando passar uma ou duas semanas sem procurar atendimento, mas no dia 3 de setembro, decidi que precisava investigar. Fui até a Unidade Básica de Saúde (UBS) e pedi para ser examinada”, contou.

“A enfermeira responsável realizou o exame clínico e ficou bastante assustada com o tamanho do nódulo. Ela me perguntou se eu conseguiria fazer uma ultrassonografia das mamas com urgência. Percebi, pela reação dela, que havia motivo para preocupação”, acrescentou.

Após a consulta, Manuella conta que foram solicitados exames e agendados procedimentos para o dia seguinte, entre eles exames de sangue e uma ultrassonografia das mamas e axilas.

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