A ausência de diretrizes claras sobre o equilíbrio fiscal para o próximo mandato foi o principal fator por trás da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros estável em 13,75%. A avaliação é de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, que analisou o cenário econômico após o anúncio da manutenção da Selic ao CNN Prime Time.
Segundo Rafaela Vitória, a incerteza decorre do desconhecimento sobre como estarão as contas públicas no próximo ano.
“O principal fator para a decisão hoje do Copom foi, de fato, essa incerteza maior”, afirmou. “E essa incerteza vem desse desconhecimento que a gente tem hoje de como vão estar as contas públicas no próximo ano”, avaliou a economista-chefe do Inter.
A economista destacou que a campanha eleitoral foi marcada por promessas de aumento de gastos e que o crescimento das despesas públicas deve fechar o ano acima de 6%, superando a inflação.
“A média desse período de quatro anos foi próximo a esse montante, 6% de crescimento real dos gastos ao ano”, disse.
Esse patamar elevado, segundo ela, vem pressionando a inflação e deteriorando as expectativas, especialmente nas últimas duas semanas.
Rafaela Vitória alertou que, caso o ritmo de crescimento dos gastos se mantenha, a inflação poderá acelerar de forma significativa, dificultando a atuação do Banco Central.
Diante da incerteza, o Banco Central optou por pausar o ciclo e aguardar as diretrizes da política fiscal para 2027.
