Em 1987, biólogos capturaram o último condor-da-califórnia que ainda vivia livre na natureza. A medida marcou o desaparecimento da espécie em seu habitat natural, mas fazia parte de uma estratégia para evitar sua extinção definitiva. Na época, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos iniciou um programa de recuperação.
Quase 40 anos depois, os resultados são positivos. No final do ano passado, a população de condores ultrapassou, pela primeira vez, 600 indivíduos, sendo que quase 400 já vivem novamente em liberdade. Apesar do avanço, a recuperação exigiu altos investimentos financeiros e provocou conflitos sobre os impactos das medidas de conservação.
A trajetória do condor-da-califórnia levanta uma discussão importante: quem decide quais espécies devem ser salvas e quem assume os custos dessas iniciativas? O assunto esteve entre os temas da cúpula de biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Yerevan, capital da Armênia, com encerramento em 30 de outubro.
Um dos principais problemas é a participação limitada das comunidades locais e dos povos indígenas nas decisões. Embora sejam diretamente afetados pelas medidas de conservação, esses grupos ainda têm um papel considerado simbólico nos processos de escolha.
No caso do condor, a recuperação da população, que passou de 22 aves em 1982 para mais de 600, também envolveu restrições ao uso do solo em comunidades rurais e conflitos com grupos de caça.
