O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A decisão foi unânime e marcou a interrupção do que o colegiado vinha classificando como ciclo de calibração da política monetária. Foi a primeira reunião do comitê após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manutenção da taxa ocorreu em um ambiente de divisão entre os agentes do mercado financeiro. Segundo pesquisa Projeções Broadcast, do Grupo Estado, 39 das 75 instituições consultadas projetavam corte da Selic para 13,50% em novembro, enquanto 36 esperavam a manutenção em 13,75%.
O levantamento, publicado na sexta-feira (30), apontava mediana de 13,50% para a taxa básica. Com a decisão anunciada nesta quarta-feira (4), a Selic ficou acima da mediana das estimativas pela primeira vez desde junho de 2025.
Antes do encontro, ganhou força a expectativa de interrupção dos cortes de juros diante do estresse nos mercados após o segundo turno da eleição. O desfecho confirmou esse movimento.
Desde março deste ano, o Copom conduzia um ciclo cauteloso de afrouxamento monetário. Nesse período, promoveu cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto porcentual. O processo ocorria em meio às incertezas sobre os efeitos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, nos preços de commodities e na inflação.
Antes desse ciclo, o Banco Central havia mantido a Selic em 15% ao ano por dez meses seguidos, entre junho de 2025 e março de 2026.
