Uma investigação de inteligência de ameaças divulgada pela empresa ZenoX revelou um esquema de comprometimento em cascata que afetou pelo menos 40 instituições financeiras e órgãos no Brasil. A operação, batizada de “Open Ledger” e conduzida por um grupo autodenominado “RedScanner”, utilizou agentes de inteligência artificial (IA) comercial para automatizar ataques e gerenciar infraestruturas de invasão. O relatório técnico foi compartilhado com exclusividade ao TecMundo.
O esquema veio à tona após uma falha operacional na infraestrutura central dos criminosos, que mantinha um servidor com listagem de diretórios aberta e sem proteção na internet. O material coletado pelos analistas reuniu mais de 7 mil arquivos, incluindo transcrições de sessões de IA, ferramentas de comando e dados exfiltrados.
O servidor comprometido era um nó Hetzner (empresa germânica de hospedagem de servidores e computação em nuvem) em Nuremberg, na Alemanha, e operava um serviço Python esquecido no diretório raiz sem autenticação ou criptografia TLS.
Inteligência artificial como força de trabalho ofensiva
O diferencial da operação foi o uso intensivo de agentes de inteligência artificial para conduzir o planejamento e a execução de tarefas técnicas de forma automatizada. De acordo com o documento técnico da ZenoX, o grupo manteve centenas de sessões transcritas e milhares de eventos automatizados rodando 24 horas por dia.
