Pesquisadores e conservadores de museus conseguiram desvendar o mecanismo interno de um cadeado de latão do século XVI recuperado de um naufrágio na costa do País de Gales.
Sem danificar a peça, a equipe utilizou tecnologia de microtomografia computadorizada, habitualmente empregada em pesquisas biológicas, para mapear o interior do objeto e identificar a senha de quatro letras que o mantinha trancado desde 1583: a palavra ANCE.
O naufrágio e a acusação de feitiçaria
O artefato pertence ao acervo do Ann Francis, um navio mercante elisabetano pertencente à família de comerciantes e contrabandistas Shaxton, de King’s Lynn. Em 28 de dezembro de 1583, a embarcação retornava da Península Ibérica carregada de moedas de ouro e prata recebidas pelo pagamento de trigo quando foi atingida por uma tempestade e destruída na praia de Margam, perto de Port Talbot.
A tragédia marítima resultou na morte de 14 marinheiros. Registros paroquiais da época documentam que as mortes foram atribuídas a Mother Gabley, moradora de King’s Lynn. Ela foi processada e condenada sob a Lei de Feitiçaria de 1562, acusada de ter provocado a tempestade ao manipular ovos em um balde de água fria.
O achado arqueológico e a tecnologia biomédica
A carga e os pertences do navio permaneceram enterrados na areia por mais de quatro séculos.
