Um esquema de escala “industrial” de empresas de fachada, ativo desde 2006 no Paraná e com ramificações em outros estados, foi revelado por investigações da Receita Federal e do Ministério Público do Paraná.
Nesta quarta-feira (4), os órgãos realizaram a 2ª fase da Operação Enxágue e a Operação Catéter, apurações que buscam desarticular organizações criminosas responsáveis por sonegação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e lavagem de dinheiro no comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, utilizados como matéria-prima por indústrias de biodiesel e curtumes (onde a pele animal é transformada em couro).
Segundo as investigações, os grupos usavam empresas de fachada, as chamadas “noteiras”, registradas em nome de “laranjas”, para emitir notas fiscais sem correspondência com operações reais, gerar créditos tributários falsos e movimentar recursos ilegais, transferindo todo o passivo tributário a companhias que, na verdade, não existiam.
Foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão em 28 cidades do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nesta quarta, além de ordens de sequestro e indisponibilidade de bens que chegam a R$ 271 milhões, e outras medidas cautelares impostas a nove investigados.
