O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a intervenção no Ueno Bank na madrugada desta terça-feira, 3. A autarquia detectou que o índice de solvência da instituição caiu para menos de 50% do mínimo exigido. A decisão levou ao fechamento total dos serviços do banco digital. Clientes relataram que não conseguiam operar caixas eletrônicos nem acessar a internet.
O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo horas depois do anúncio. Ele comandou o Ueno Bank até agosto de 2023. Em coletiva, Carvallo afirmou que o afastamento ajudaria a acalmar a controvérsia em torno da autarquia. O caso trouxe incertezas para a percepção do mercado sobre o ambiente de negócios paraguaio.
O Ueno Bank nasceu como fintech em 2021 e obteve licença bancária em dezembro de 2023. A instituição acumulou cerca de 3 milhões de clientes. O número equivale a 40% da população paraguaia. O banco processava quase 3 milhões de transações por dia. O volume representava dois terços dos pagamentos eletrônicos das grandes redes de varejo.
O rápido crescimento levantou suspeitas. Reguladores e a imprensa apontaram empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco. Em março, o Ueno realizou a maior emissão de títulos corporativos da história do Paraguai. A operação captou US$ 350 milhões. No mês passado, a agência Fitch revisou a perspectiva da nota de crédito da instituição para negativa.
