A doença fúngica mortal quitridiomicose, causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis, foi a responsável pelo declínio populacional de rãs na Mata Atlântica na década de 1970. É o que afirma um novo estudo realizado por pesquisadores internacionais que utilizou espécimes da época guardadas em um museu.
Anteriormente, o motivo do desaparecimento dos anfíbios era incerto. A descoberta foi liderada por pesquisadores do Centro de Genômica da Conservação do Instituto Nacional de Zoológicos e Biologia da Conservação (NZCBI, na sigla em inglês) do Smithsonian e da Universidade Estadual da Pensilvânia (PSU, em inglês). Os resultados foram publicados na revista Molecular Ecology em 14 de outubro.
O evento de desaparecimento ocorreu na Estação Biológica Boracéia, um centro de pesquisa e conservação da Universidade de São Paulo (USP) que existe até hoje, entre 1979 e 1982.
Inicialmente, acreditava-se que o declínio das populações de rãs ocorrera devido a mudanças climáticas ou a eventos climáticos extremos incomuns, mas essa hipótese foi refutada no novo estudo.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram coleções de espécimes de rãs coletadas em expedições feitas em Boracéia durante a década de 1970, um pouco antes do declínio populacional acentuado, e durante a década de 1980, após as inúmeras mortes.
