A vitória avassaladora da oposição nas eleições de meio de mandato de Donald Trump mostraram que as notícias sobre a morte da democracia americana eram prematuras.
Aos 250 anos, o sistema que fez dos Estados Unidos a nação grandiosa que é continua capaz de se regenerar pelo voto.
Os eleitores disseram não a um presidente que, além de trair promessas de campanha, como a de evitar enfiar o país em guerras inflacionárias como a do Irã, vinha dando vazão a tentações autoritárias que causavam pesadelos aos assustadiços com a possibilidade de a própria democracia ser subvertida.
Eles, os eleitores, contiveram Trump punindo o seu partido, o Republicano, que se deixou tomar por um narcisista perverso e pagou a conta nas urnas, como deve ser.
O resultado está aí: os republicanos perderam a maioria no Senado e na Câmara, e o inquilino da Casa Branca terá de se haver nos próximos dois anos com um Partido Democrata que ressurgiu das cinzas para enquadrá-lo.
Ao contrário do que acreditavam os assustadiços, nunca houve a menor chance de a realidade imitar a distopia do romance The Plot Against America, de Phillip Roth, no qual a mais vigorosa democracia do mundo se vê na iminência de aderir ao nazifascismo.
