A direita saiu das urnas com um capital político nada desprezível. Mesmo derrotado por mais de quatro milhões de votos no segundo turno, seu candidato à Presidência amealhou cerca de 60 milhões de votos. No Parlamento, houve crescimento expressivo, particularmente do PL. A legenda comandada por Valdemar Costa Neto elegeu 121 deputados e terá 28 senadores, aproximadamente um terço da Casa. Essa é sua força. Sua fraqueza está na dificuldade de transformar esse patrimônio em um projeto nacional que ultrapasse o bolsonarismo.
A direita não é um campo uniforme, embora tenha se subordinado à liderança da família Bolsonaro nos últimos oito anos. A derrota presidencial e a postura de Flávio diante do resultado expuseram os limites dessa submissão. Pela segunda eleição presidencial consecutiva, a família que lidera o movimento recusou-se a reconhecer a decisão dos brasileiros expressa por meio do voto.
Há diferenças importantes no campo conservador, e nem mesmo o PL terá atuação homogênea no Congresso. União Brasil, PP e setores do MDB que estiveram no palanque de Flávio já ensaiam aproximações com o quarto governo Lula, em troca, claro, de espaço no poder. O alinhamento na eleição não significou identidade política nem compromisso duradouro com o bolsonarismo.
É preciso, porém, distinguir movimentos de acomodação da construção de uma alternativa. Negociar cargos no governo demonstra pragmatismo, mas não constitui uma renovação da direita.
