A combinação de juros elevados, crédito rural caro e incertezas climáticas deve tornar 2027 um ano desafiador para o agronegócio brasileiro. O aumento dos custos de produção, as dificuldades de financiamento e o endividamento no campo podem comprometer investimentos, reduzir as margens dos produtores e pressionar os preços dos alimentos. O cenário foi discutido no programa A Força do Agro, da Revista Oeste.
O CEO da Delta Global Bank, Pedro Ricco, afirmou que o custo do dinheiro afeta diretamente o planejamento financeiro das propriedades. Segundo ele, o encarecimento do financiamento pode reduzir entre 10% e 15% a margem dos produtores. A pressão também atinge a compra de insumos, especialmente fertilizantes, dos quais o Brasil importa grande parte.
Ricco avalia que os efeitos das decisões financeiras tomadas atualmente podem chegar ao consumidor entre seis e nove meses depois. Em sua projeção, os preços dos produtos do agronegócio podem registrar alta média de até 15%, caso os custos continuem elevados.
Crédito rural mais restrito ameaça investimentos no campo
O executivo também chamou a atenção para a postura mais criteriosa das instituições financeiras na concessão de crédito. Além dos indicadores econômicos, os bancos passaram a observar a gestão das propriedades, a organização das equipes e a capacidade de o produtor manter a eficiência operacional.
A restrição ao financiamento pode adiar a compra de máquinas e tecnologias.
