Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado, avançando inclusive sobre antigos redutos republicanos. Ainda havia disputas sem definição na manhã desta quarta-feira, mas a mudança de comando do Congresso já estava prevista. A nova composição assume-se em janeiro de 2027.
Na minha avaliação, essa derrota foi sendo construída. Trump transformou o confronto em método de governo e apostou que a demonstração permanente de força sustentaria seu poder. O problema apareceu quando o eleitor começou a comparar suas promessas com a vida que estava levando.
Há uma leitura que precisa ser feita também sobre a América Latina. Vitórias recentes da direita foram apresentadas como se representassem uma adesão definitiva dos povos a um projeto ideológico. Essa interpretação deixa de lado uma parte decisiva do comportamento eleitoral.
Quem teme sair de casa, perdeu poder de compra ou não encontra trabalho procura uma saída. A ideologia influencia o voto, evidentemente. Mas a insatisfação abre espaço para quem promete romper com uma situação que se tornou insuportável.
Trump apoiou aliados e procurou transformar esses resultados em demonstração de sua influência. Na Argentina, chegou a associar o apoio financeiro americano ao desempenho eleitoral do grupo de Javier Milei. Na Colômbia, apoiou Abelardo de la Espriella.
O apoio externo, porém, não paga a conta das expectativas internas.
