Uma pessoa que perdeu os movimentos das pernas após um traumatismo medular pode voltar a movimentá-las? Por muito tempo, a resposta parecia negativa nas lesões consideradas completas. Hoje, estudos de neuroestimulação estão mudando essa perspectiva - embora ainda não representem uma cura.
No Brasil, estima-se que ocorram de 6 mil a 8 mil novos casos de lesão medular traumática por ano, responsáveis por muitos anos de vida com incapacidade. Acidentes de trânsito, quedas, tiros e mergulhos estão entre as causas (1,2).
Como a estimulação atua na medula
A medula espinhal não é simplesmente uma via de comunicação entre o cérebro e o corpo. Ela constitui um centro complexo de processamento de movimentos automáticos, como a marcha. Uma lesão pode destruir um segmento da medula, mas não necessariamente as células e redes nervosas abaixo dele. Mesmo sem movimento voluntário, redes que coordenam músculos e reflexos podem sobreviver, embora se tornem pouco responsivas aos estímulos que chegam de centros superiores à lesão.
É nesse cenário que surge a estimulação elétrica da medula, terapia emergente ainda não estabelecida como protocolo rotineiro de recuperação motora. Na estimulação epidural, eletrodos implantados logo acima da dura-máter (a meninge mais espessa) enviam impulsos à medula. Os estímulos tornam os circuitos nervosos abaixo da lesão mais capazes de responder à intenção de movimento e ao treinamento físico.
