Durante décadas, o tratamento sistêmico do câncer de ovário esteve fortemente baseado na quimioterapia, especialmente nas combinações com derivados da platina. Esses medicamentos continuam fundamentais, mas hoje sabemos que nem todos os tumores de ovário são iguais. Quanto mais conhecemos as características biológicas e moleculares dos tumores, mais conseguimos identificar grupos de pacientes que podem se beneficiar de tratamentos específicos.
Essa mudança é particularmente importante quando o câncer retorna e se torna resistente à platina, situação em que as opções terapêuticas historicamente são mais limitadas. Nos últimos anos, novos medicamentos chegaram à prática clínica e alguns dependem diretamente da identificação de biomarcadores no tumor.
O câncer de ovário, portanto, começa a deixar de ser tratado como se fosse uma doença biologicamente igual em todas as mulheres.
Um dos avanços mais importantes envolve o receptor de folato alfa, conhecido como FRα, proteína que pode estar presente em grande quantidade na superfície das células de alguns tumores ovarianos. Identificar essa característica permite selecionar pacientes para uma terapia direcionada.
É o caso do mirvetuximabe soravtansina, aprovado pela Anvisa em 2025 para mulheres com câncer epitelial de ovário, tuba uterina ou peritônio primário resistente à platina, com expressão de FRα, após uma a três linhas anteriores de tratamento.
O medicamento pertence à classe dos conjugados anticorpo-droga, os ADCs.
