Quando a espanhola Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi despejada da casa onde vivia há mais de sete décadas por não ter condições de arcar com o aluguel, milhares de pessoas começaram a ir às ruas na Espanha. Na mesma época, meados de setembro, estudantes secundaristas iniciaram uma série de protestos na França contra as más condições das escolas públicas - um movimento que chegou a levar mais de 500 mil pessoas aos atos em um só dia. O efeito contagioso das manifestações chegou a vários países, como Alemanha, Itália, Bélgica, Albânia e Sérvia, onde o movimento estudantil conseguiu vencer nas urnas o partido do presidente Aleksandar Vučić, que governava o país desde 2014. O estopim dos protestos é diferente em cada país, mas todos compartilham o mesmo espírito do tempo: o custo de vida ficou caro demais.
Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com o cientista político que estuda movimentos populistas Thomás Zicman de Barros. Thomás descreve o que há de comum e o que há de específico nestes protestos e explica a comparação com os protestos de Maio de 1968. Ele também analisa as potenciais consequências dessa onda de manifestações para a democracia europeia.
Convidado: Thomás Zicman de Barros, cientista político, professor, pesquisador associado ao Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po Paris e autor do livro 'Do que falamos quando falamos de populismo'.
A onda de protestos pela Europa e a crise do custo de vida - O Assunto #1838
