Enquanto muitas cidades brasileiras substituem ruas de paralelepípedo por asfalto em nome da modernização, um debate sobre patrimônio histórico e sustentabilidade ganha espaço. Em Bauru, no interior de São Paulo, essa disputa aparece em vias onde pedras antigas se misturam a remendos de piche. As intervenções, frequentemente realizadas após obras subterrâneas, escondem características históricas do calçamento e comprometem parte de sua capacidade de drenagem.
“A discussão não é exclusiva do município. Em São Paulo, onde existem cerca de cinco mil ruas pavimentadas com paralelepípedos, um projeto de lei que pretendia impedir o asfaltamento dessas vias foi rejeitado pela Câmara Municipal. A proposta surgiu após intervenções controversas da prefeitura, mas acabou derrubada sob o argumento de que o asfalto ofereceria maior segurança viária, uniformidade e melhores condições de mobilidade“, explica Lucas Silva Pamio é Mestre em Teoria da Arquitetura e do Urbanismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Especialista em Planejamento Urbano e Políticas Públicas.
