O biodiesel chega ao fim de 2026 em um ambiente de margens apertadas, mistura obrigatória estacionada em 15% e uma agenda regulatória que segue indefinida. A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) estabeleceu a meta de 16% a partir de março de 2026, mas o país segue no B15, em vigor desde agosto de 2025.
A lei fixa metas, e não aumentos automáticos: cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definir o percentual obrigatório, entre 13% e 25%, e qualquer avanço acima de 15% depende da confirmação prévia da viabilidade técnica.
A reunião do conselho que poderia tratar do tema, em maio, foi cancelada sem nova data, e o Ministério de Minas e Energia (MME) tem até 30 de novembro para publicar o cronograma atualizado dos testes, divididos em duas etapas, do B15 ao B20 e, depois, até o B25.
O calendário técnico é o que limita o avanço. Parecer interno da área técnica do MME, divulgado em junho, indicava que o B16 poderia ser anunciado, na melhor das hipóteses, em fevereiro de 2027, o que permitiria a entrada em vigor em março, data que a Abiove ainda considera em suas projeções. A avaliação da Safras & Mercado, no entanto, é de que o aumento deve ocorrer apenas em agosto de 2027, percepção que também prevalece entre os agentes do setor.
Os testes de motores e de estabilidade do combustível ainda precisam ser concluídos e validados, e eventuais ajustes no protocolo empurram o relatório final para meados do ano.
