É evidente que Lula terá de fazer acordos com os partidos do centrão para governar. Mais do que isso: é um dever mobilizar o que estiver ao seu alcance, dentro da legalidade, para que a Câmara siga sob o comando de Hugo Motta (Republicanos-PB), e o Senado, sob o de Davi Alcolumbre (União-AP).
A razão é simples. O PL tenta dividir com Motta o comando da Câmara e quer o controle do Senado para impor uma pauta que terá um pé no reacionarismo, outro no golpismo e os quatro no ataque permanente às instituições. Parcelas consideráveis da legenda, com o auxílio do Novo, a cloaca do extremismo de direita, não querem fazer oposição, que deveria ser o sal da terra da democracia, mas depor o presidente legitimamente eleito. De novo…
O PL sai das urnas com a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e com 29 senadores. Já avisou que vai disputar a Presidência do Senado. Para enfrentar o aluvião, Lula terá de negociar muito. “Ah, vai distribuir cargos”… Não me digam!
Antes que eu avance, uma nota: Lula não deve a sua reeleição ao centrão nem às forças centro-conservadoras. Neutras no primeiro turno, elas apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo. Tantos diziam que ele já era o vencedor, não é mesmo? União Brasil, PP, Republicanos, Podemos, a maioria do MDB… A vitória de Lula, com uma margem de 4,4 milhões de votos, é obra do próprio presidente, da mobilização popular, dos progressistas e de mais ninguém.
