Uma operação conjunta de cibersegurança desativou os servidores que controlavam mais de 1,3 milhão de dispositivos Android comprometidos em todo o mundo, predominantemente caixas de televisão para streaming. A ação desarticulou uma infraestrutura global usada para fraudes de cliques e redirecionamento de conexões de internet sem o consentimento dos usuários. O Google afirmou, em nota publicada nesta segunda-feira (2), que a fabricante chinesa Videostrong inseriu intencionalmente um código malicioso nos produtos e vendeu acesso ilícito a criminosos, porém a empresa não se pronunciou publicamente sobre o caso.
A investigação revelou que os aparelhos vinham de fábrica com um componente de gerenciamento oculto chamado “x.cpe”, projetado para burlar testes de segurança e manter acesso privilegiado aos sistemas. Essa estrutura permitia a instalação silenciosa de aplicativos maliciosos e a transformação das residências em ferramentas para ocultar a identidade dos cibercriminosos e em redes de distribuição de conteúdo.
A escala do esquema global atingiu mais de 170 países, com forte concentração no Brasil, México, Iraque e Taiwan. Os aparelhos infectados incluíam de modelos populares de marcas como MECOOL a equipamentos de telessaúde e karaokês digitais. Os atacantes utilizavam o tráfego residencial para simular acessos locais legítimos, o que facilitava fraudes financeiras e burlamento de sistemas de segurança baseados em reputação de endereços IP.
